domingo, 11 de maio de 2008

Um caso sério!


Isto de se ser crescido é um caso sério! Perde-se a benesse de brincar e quando brincamos parecemos engravatados a dizer piadas de infâncias desmerecidas. Por outro lado quando falamos sobre brincar a sério ninguém nos dá credito porque já não estamos em idade de brincar, excepto, claro, quando é a brincar. Todos queremos ir - muito mais que os nossos filhos - ver o Indiana Jones, eterno herói. Todos queremos ser heróis e desafiar o mundo e, sobretudo, os maus. Todos queremos ser bons. Na realidade somos professores severos, pais que ralham, filhos que se esquecem, profissionais que se atrasam. Eternos endividados à banca das emoções, vingamo-nos com fato completo e capa aos fins-de-semana quando damos uma corrida pela praia e dois pontapés na bola, julgamo-nos livres, que bons actores somos para nós mesmos.

Um caso sério ser crescido e querer tanto, ainda, brincar. Um caso sério amanhã ser segunda-feira e termos brincado ao fim-de-semana em vez de o viver com a sabedoria que os anos que já caminhámos nos deviam permitir usufruir. Sem medo de decisões e justiças, sem medo de enfrentar consciências, sem medo de sorrir, sem medo de ter opinião. Sem medo de sermos nós quando necessário. Sem medo de brincar a coisas sérias quando nelas acreditamos.

Porque se pode ir de gravata comer um hamburguer ou de calções ter uma reunião, não vestimos a nossa personalidade por medo, as roupas são apenas um invólucro, não uma defesa. Porque se pode cantar no duche mas também na rua, porque se pode e deve abraçar e beijar as pessoas que nos rodeiam, porque se pode correr e ser alegre.

Um caso sério querer dar destino a resmas de ternura, querer ser apaixonado, querer o mundo e ter que se ficar pelo GoogleEarth, olhar a lua de longe e ninguém levar a sério nada do tudo que queremos.

Por isso, também, às vezes, nos podemos zangar. E não é a brincar, é a sério. É muito a sério assumirmos o que somos e o que sentimos, sermos coerentes connosco e fiéis a nós mesmos, não termos medo e sobretudo viver sem ter que parecer, não apenas parecer viver ou viver a parecer que sim.

Um caso sério, sermos nós.

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