domingo, 1 de outubro de 2006

Alba notanda lapillo


Marcar o dia com uma pedra branca, dizia-se em Roma. Como se os dias tivessem um único tom... No entanto, o branco é a soma de todas as cores. Talvez os Auguri fossem sábios, o voo da aves é, apesar de tudo, mais incerto. No final, o sorriso da lua que cresce é branco e faz matizes de luz no mar. É branca a alma de quem ama. São brancos os sonhos, e as nuvens que passam sem tirar o calor do sol.
Todas as cores numa só. Estranho mundo em que nos deixamos viver. Que pula e avança demasiado em sobressalto, tantas pedras no caminho (delas farei um castelo, dizia alguém sábio). As pedras juntas e as cores fazem o sonho e o branco, igual ao da espuma das ondas nos pés das crianças que têm, tantas vezes, medo de ir mais longe, esperando sempre uma mão que os segure na praia.
Horizonte onde deve, em objectivo, nunca em fim. Para que cada dia deseje o novo, e o branco das pedras todas onde caminhamos encontre um rumo, maré cheia, lua alta em reflexo de mãe.

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