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"Um título é parte integral de uma história. Porque não? No fim de tudo, a vida não é uma resposta. restam ambiguidades. Resta o espaço para a dúvida." Isaac Asimov, Mensagens do Futuro.
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Entrevista
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terça-feira, 16 de maio de 2006
E outros em que volta a surgir
Fantástico amigo que o meu filho tem, fantástica turma que se conhece desde os três anos e constrói o carácter e a vida lado a lado, em todos os momentos. São estes os heróis da geração seguinte. Hoje são sem dúvida os meus heróis. Que sejam, para eles, sempre, mais os dias de sol que os nublados. Merecem.
segunda-feira, 15 de maio de 2006
Sempre criança
É bom continuar criança. Agora tenho 40 anos. Ainda bem que não foi desta que cresci. Tenho a certeza porque já passaram 25 horas e 40 anos e devo estar praticamente na mesma. Continuo a sonhar muito, a conseguir voar e a gostar de brincar com os meus amigos. Em definitivo, devo estar mais ou menos na mesma...Obrigado à Paula Rego pela ilustração e à Cavalo de Ferro por ter editado o texto original de Peter Pan.
40
Quando esse amigo é um pai maravilhoso e, parte da equipa dos pais dos nossos dias, gostaria de ter mais dias, mais horas, para dar ao seu filho.
Quando esse amigo nos conhece o suficiente para saber que pensamos e sentimos o mesmo, que o mais importante das nossas vidas não é o que nos ocupa mais tempo, dá mais sucesso, faz mais eco, mas as pequenas doçuras do dia-a-dia.
Queremos continuar a ser Peter Pan com 40 anos para ser Mãe e Melhor Amiga e Irmã e falar de tudo e nada, rir e chorar, abraçar, beijar, adoçar todos os momentos que partilhamos com os nossos filhos.
Olho para tudo o que recebi, presente fofo (semanadas juntas, uma por uma), beijos tão doces, mimos tão directos ao coração, tudo planeado, dia perfeito, felicidade para que me deixei arrastar protestando infantilmente entre surpresas mais doces que previstas...
Só posso ficar feliz. Fiquem em paz, os que vão fazer 40. Há muito tempo ainda para aproveitar. Há todo este minuto em que o sinto a dormir no quarto ao lado e todos os que mais nos forem dados, na pressa de o ajudar a crescer, no sonho de ficar sempre pequena a seu lado e ter o tempo infinito do amor, relógio invertido, sempre com pena do que não fazemos, mas sempre, sempre, toda a vida, a sorrir por tudo o que construímos de mãos dadas.
Quando um amigo nos faz pensar em tudo isto no nosso aniversário e pensa assim, também, é um sorriso tão grande que nos rasga o pensamento e deixa o sol entrar. Obrigado.
Dias em que o sol não aquece...
Que valor não damos a poder estar vivos. Devíamos sorrir sempre quando olhamos para os nossos queridos, para os nossos amigos, para quem se cruza connosco só pelo dom, pela potencialidade de ser feliz que a vida dá.
O sol deixa de aquecer quando nos confrontamos com lágrimas de crianças que vão - muitos pela primeira vez - a um funeral porque um amigo sofre a perda da sua mãe. Acho mesmo que choveu, que o mundo deve ter chorado e só quem lá estava percebeu.
O nosso amiguinho não chorou. Manteve uma dignidade e uma serenidade impressionantes, tomando conta de um pai desolado que lhe ficou nos braços. Há dois fins-de-semana tinha estado cá em casa. Hoje o mundo dele mudou para sempre. Tão definitivo. Porque é que há dias que são tão terrivelmente irreversíveis?
Cancro de Mama. Já perdi uma grande amiga desta forma, também bastante nova. Continua a ser um flagelo para as mulheres, nem sempre é controlável, mesmo com as possíveis precauções e prevenções.
Perder pessoas ao longo da vida é inevitável. Mas temos o direito de nos zangar um bocadinho com o mundo quando essas pessoas são mães e os filhos ainda estão no princípio do caminho. Quando, num mundo de famílias desfeitas, esta era uma família doce e amiga, cheia de harmonia. Lágrimas hoje, onde tantos sorrisos aconteceram. Espero o dia em que os sorrisos voltem e o sol aqueça por vermos que as sementes de amor que foram deixadas por quem partiu deram fruto num homem digno e bom e justo. Pelo que conheço deste pequenino - desde os três anos, tanto tempo já... - acredito que sim. Hoje, pelo menos, preciso muito de acreditar em algo. Acho que vou abraçar outra vez o meu filho, a aprender a ferros o que custa ser amigo com A maiúsculo. E abençoar a possibilidade que tenho tido, até hoje, de o ver crescer.
domingo, 14 de maio de 2006
Busy
I didn’t have much time to play.
The little games you asked to do,
I didn’t have much time for you.
I’d wash your clothes.
I’d sew and cook.
You’d ask and I’d read from your book.
I’d tuck you in all safe at night,
And hear your prayers;
turn out the light.
Then tiptoed softly by your door,
I wish I’d stayed a minute more.
For life was short,
the years rushed past,
A little boy grows up so fast.
No longer is he at my side,
His precious secrets to confide.
The picture books are put away.
There are no longer games to play.
No Teddy Bears or misplaced toys
No sleepovers with lots of boys.
No goodnight kiss,
no prayers to hear.
That all belongs to yesteryears.
My hands, once busy, now are still.
The days are long and hard to fill.
I wish I could go back and do
The little things you asked me to...
quarta-feira, 10 de maio de 2006
Domingos Alvão
Domingos do Espírito Santo Alvão (1872-1946) foi um fotógrafo português marcante. Trabalhou inicialmente na Casa Biel, esteve ligado a levantamentos fotográficos da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e da Comissão de Viticultura do Douro, tendo aberto, em 1903 a casa Fotografia Alvão.Premiado em 1915 na exposição do Panamá, em 1916 com a Medalha de Prata da Exposição de Artes Gráficas de Leipzig, em 1923 com o Grande Prémio da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1925 com a Medalha de Ouro da Exposição Nacional de Fotografia do Grandela e Menção Honrosa na Exposição Nacional e Concurso de Fotografia do jornal O Século, em 1936.
Alvo de um estudo de qualidade, na tese de Filipe André Cordeiro Figueiredo, de 2002, intitulada: O Estúdio de Domingos Alvão e as suas edições fotográficas.
A explorar.
domingo, 7 de maio de 2006
Baldas
Com febre na sexta, claro que não conseguia conduzir de Oeiras a Lisboa, quanto mais até Portalegre. A aula perspectivava-se útil e é sempre bom ir trocando impressões com os colegas. Fiquei por cá, meia estragada. Nem me serve de nada falar alguma coisa de LGP porque só o meu filho é que percebe. Os meus amigos, esses, dizem que uma mulher afónica é uma benção dos céus. Sobretudo no meu caso...
Sinto-me baldas. Mas cheguei aqui, onde se escreve dos dedos para quem queira e vi que tinha muitos e bons amigos a perguntar por mim - obrigado. O meu filho e o João encheram-me de mimo, até porque hoje é o tal de dia da Mãe, mais uma daquelas efemérides comemorativas que me coibo de comentar, mas que são fixes quando estamos neuras e precisamos de atenção.
Amanhã vou trabalhar, nem que tussam todas as vacas da Cow Parade. Não gosto de baldas. O que me lembra um episódio curioso há uns anos, num café frente à Secretaria-Geral do Ministério das Finanças, na Rua da Alfândega, em que o Sr. Carlos me serviu um comovido café, quase em lágrimas, murmurando: "há tantos anos a servir os doutores aqui dos ministérios e nunca vi ninguém vir trabalhar de braço partido...". Sossegue, Senhor Carlos, o seu desvelo pode ser alargado a muitos portugueses que não são baldas.
Tenho saudades dessa altura em que fiz 30. Até porque para a semana faço 40. Sem baldas...
sexta-feira, 28 de abril de 2006
Dois meses
A paisagem humana foi-se tornando próxima, os nossos horizontes também, a chuva foi tornada calor este fim-de-semana, em que as cegonhas procuravam sombra, o sol torrava, e as flores brancas que cobriam os campos a preparar a Páscoa entraram em Abril de todas as cores. Nenhuma árvore sózinha, rebanho procurando sombras em tapeçarias que distraem da estrada certa e uniforme.
Faltam dois meses para conseguirmos todos algo que foi um ano de esforço, para muitos de mudanças, para outros de crescimento, para alguns de dor. Os nossos dias são sempre tão inesperados. De uma semana para a outra, as cegonhas abrigaram-se e vieram as flores de abril fazer-nos sorrir e certificar-nos que tudo está bem.
domingo, 16 de abril de 2006
Páscoa
A calma dos nossos dias ao passar por estas quadras, vividas com menos intensidade, com o urbanismo de ter mais um feriado para acertar trabalho em atraso e fazer um ou outro programa breve, torna estes dias bastante mais transparentes para a geração nova. Para a nossa, certamente mais tristes.
O meu Pai continua a comprar-me ovos de chocolate - espero que não páre por eu ir fazer 40 anos - e a minha mãe a contar histórias de tempos passados e presentes, omnipresente, omnisciente de todos os sentimentos familiares, discreta e sábia, doce com todos.
O meu dia de hoje foi passado em família, mas mais centrado em organizações e programações de dias que hão-de vir. Não que o futuro não nos faça sorrir, mas há dias que deviam ser vividos por eles próprios e não como tempo livre para.
Chegou ao fim mais um período de férias escolares. Estamos numa primavera meio carrancuda, a arrancar papoilas difíceis por essas estradas e arco-íris que lembram roupas a pingar em varais fora de época.
Boa Páscoa. Feliz Primavera. Que venha o sol, já tardam sorrisos abertos.
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Boa noite
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Turner
Norham Castle, Sunrise c. 1835-40; Oil on canvas, 78 x 122 cm; Clore Gallery for the Turner Collection, London.Vale a pena visitar http://www.tate.org.uk/
Suchi e Scrats

I Parte: Jantar japonês. Não sou relutante a experiências alimentares. Não sou esquisita. Sinto-me obrigada a juntar uma componente cultural a este post. Sushi é um prato tradicional japonês, baseado numa forma de conservar peixe, entre arroz e sal, pressionado durante semanas. O peixe fermentado e o arroz ficam então considerados prontos a comer. No séc. XVIII, um janponês de nome Yohei decidiu servir o sushi na forma conhecida actualmente, usando vinagre de arroz. Continuam a existir muitas variantes, como a de Osaka, em que o sushi é apresentado depois de pressionado com arroz entre barras de madeira. O mais comum no ocidente é o chamado nigiri sushi, peixe e arroz, enrolados com algas e ... chega de cultura. Com todo o respeito, de facto fico-me pelos ensopados de borrego portugueses.
II Parte: Ice Age 2 - The Meltdown

Tradicionalmente as sequelas não são comparáveis à surpresa dos primeiros filmes. Neste, o factor conhecimento foi inteligentemente aproveitado, sobretudo na hilariante personagem do pequeno e nervoso esquilo (?) Scrats. Dirigido pelo Brasileiro Carlos Saldanha, todo o filme tem um humor constante, bom ritmo, muitíssimo engraçado. Um momento de boa disposição. Rir é necessário.
E agora, vou comer um iogurte...
domingo, 9 de abril de 2006
Nasceu a Sofia!
sexta-feira, 7 de abril de 2006
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terça-feira, 4 de abril de 2006
Mário de Sá Carneiro
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
-Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém... "
Poeta português, Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa em 19 de maio de 1890 e morreu em Paris a 26 de abril de 1916.
"Sá-Carneiro não teve biografia: teve só génio. O que disse foi o que viveu."
Fernando Pessoa
domingo, 2 de abril de 2006
Passatempos

O mar e um soneto

Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente. "
Ambos admiro, fez-me sentido a união. A beleza não precisa de grandes explicações.
