
As cores são como o vermelho do céu ao entardecer...
"Um título é parte integral de uma história. Porque não? No fim de tudo, a vida não é uma resposta. restam ambiguidades. Resta o espaço para a dúvida." Isaac Asimov, Mensagens do Futuro.


"Tudo é fácil quando se está brincando com a flor entre os dedos
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança, ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.
Desde que nasci que todos me enganam,
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades
mas com profundas, autênticas verdades.
E é tudo tão simples quando se rola a flor entre entre os dedos
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores,
para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem"


Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano
Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé
Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você
Arnaldo Antunes
"Esperar era compreender mais tarde os significados do dia anterior."Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
Miguel Torga (1907-1995)

Podem confiar. Estou sã de espírito (tanto quanto...). Por isso mesmo decidi voltar a ter tempo para ler e reler o meu grande amor: histórias infantis. Hoje encontrei pela net The Little Engine That Could. Não prego nem acredito no sonho americano, acho que traduções literais são perigosas e perseguir a felicidade sempre me soou mal, ela chama pelo nosso nome na altura certa. Ser positivo é o lema desta história. Não, não é um livro de auto-ajuda mas fala de auto-confiança. Gosto de subverter sentidos, horários, regras. Gosto de virar o meu mundo e de compôr o meu canteiro pessoal. Como o comboiozinho da história, há dias em que descemos o monte e outros em que o conseguimos subir. Alguns são mais cansativos ou tomam conta de nós e só avançamos um bocadinho. Noutros, pequenas conquistas, passos pequeninos para não tropeçar, que nas bordas do caminho há sempre um malmequer que fala de quem nos apetece e casas caiadas de optimismo para repousar a alma. Quem tudo quer sempre alcança, não vale a pena pedir pouco da vida. Creio em impossíveis, sobretudo creio em mim e em duas características que adormecerão comigo: a vontade e a liberdade de ser eu mesma. Pode alguém ser livre? Pode. Podem confiar.
O que se faz a uma metáfora. Reconhece-se? Hoje sou tudo.