
Quino, Que Presente tão Inapresentável...
"Um título é parte integral de uma história. Porque não? No fim de tudo, a vida não é uma resposta. restam ambiguidades. Resta o espaço para a dúvida." Isaac Asimov, Mensagens do Futuro.
coelhinho branco da história de Alice no País das Maravilhas, com relógio
janela de carro partida, abrindo sobre um fundo de paisagem natural verde
Porque nascem as flores entre as pedras, se o meio é agreste e as fere, nem um passo podem dar, não tivessem raízes a segurá-las ao solo cru, sonho de alturas, outros prados, visões macias da realidade mesma, ilusões, quem sabe, da vertigem de viver que quem está preso sente, velocidade, pavor do imobilismo, desejos de vento, mesmo que um despenhadeiro exista, pior nunca será, talvez haja mais água, talvez um doce e derradeiro mergulho.
Ganharam o campeonato, ganharam a AJUTEC. Daí certamente a Quinta das Lágrimas, de Coimbra para cima só há dragões...
Todos, sempre. Porque não há idade para fazer bolas de sabão e ficar a vê-las esvoaçar como borboletas, soprar sonhos delicados e esperar que durem para sempre, e depois duram mesmo. Crianças quando precisamos de mimos e beijinhos e colo, quando queremos que nos contem outra vez a história da noite, quando os filhos começam a passar o braço por cima de nós e ainda mal limpámos as lágrimas motivadas pelo desgosto que nos deram os patifes que mataram a mãe do Bambi. Crianças quando rimos sem saber porquê e choramos por tudo, quando o mais ínfimo dos problemas passa à titularidade de dói-dói e nos dá para arrumar desenhos inconsequentes e redacções sobre a primavera que ainda continua, ainda agora a minha mãe a mandar-me descer da árvore porque posso esfolar os joelhos e pôr o chapéu por causa do sol. Vamos pois à bomba de gasolina de triciclo, fumando cigarros de chocolate, faz bem melhor à bolsa e à saúde, sorrir sem vergonha e limpar as lágrimas e fluidos anexos à manga do bibe, sempre de riscas, claro, e com pontas de lápis de cor partidas no fundo dos bolsos. Crianças todos, cheios de medo das trovoadas e dos maus, cheios de razão e com os olhos grandes a procurar a luz que deve aparecer quase, quase a seguir, quando se abrir a porta do quarto e entrar uma mãe a encaminhar o rancho para a escola. Crianças quase bebés porque fazemos fitas e birras e todos os conflitos fossem assim resolvidos na ONU, com um beijo tolerante a saber a restos de smarties, deixando-nos sempre os crescidos dar mais uma volta no carrossel. Espero a minha vez, também quero andar agora na cadeira que gira sem parar dentro do mundo e acreditar que a volta nunca é a última, a música continua, e o senhor do algodão-doce com toda a certeza não me dará o desgosto de se ir embora, afinal não quero descer e ter 41 anos, será que algum dia os terei?
Imagem dos anos 50: colunas "language" e "barrier", no meio uma estrada com carros. Uma criança pergunta: "Mummy, why are all those people climbing instead of using teh road?" A mãe responde: "Oh, theu have their reasons, dear. Some don't know there is a road; some won't use it because roads are artificial; and some have plenty of time". Mensagem: "Use the highway! Learn Esperanto now."


Contos de fadas, até que o mundo deixe de girar...
-
Credits: Guillermo del Toro, El Laberinto del Fauno, 2006.

