quarta-feira, 25 de março de 2020

Esperar/desesperar

As esperas são assim. Algo de nós parado ou com formigueiros de reagir. Algo de nós impaciente, ago de nós revoltado. Não é um descanso escolhido ou merecido, é um não-descanso forçado, confinado. Temos que nos enfrentar diariamente, e aos que partilham casa connosco. O espaço não será tão proximamente o nosso. Será o NOSSO plural. Temos que encontrar dentro de nós um ponto de fuga, a bem da nossa sanidade e da dos que nos rodeiam. Criar a harmonia interior para transmitir a paz aos outros. O/s outro/s nunca foi tão importante porque passou/passaram a ser as únicas pessoas do mundo com quem contactamos, a bem de todas as outras pessoas do mundo.
É estranho e belo sacrificarmo-nos pelos outros e por nós mesmos. Tem algo de dramático evidentemente mas muito de aprendizagem pessoal. É um caminho com um fim, com um fito, com um desejo.
Movidos pela força desse desejo que tudo fique bem, fazemos ginástica de manhã, tomamos um chá à janela, arejamos e arrumamos a casa, programamos as refeições do dia, sentamo-nos ao computador. O plural não desarreda de mim e estou a falar no singular. Passámos a ser tanto nós que o eu ficou muito pequenininho num canto, em reserva, para quando puder voltar a ser.

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